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Efeito do consumo de alimentos ultraprocessados na microbiota intestinal e eixo intestino-cérebro.

  • 17 de mai.
  • 2 min de leitura

Nossa microbiota é composta por microorganismos benéficos que vivem no trato intestinal humano e desempenham diversas funções essenciais. O principal modulador para um bom funcionamento da microbiota é a nossa alimentação.  A partir da digestão dos alimentos ingeridos, serão gerados metabólitos que podem afetar funções cerebrais direta ou indiretamente, via eixo microbiota-intestino-cérebro. Localmente, nossa microbiota irá controlar funções metabólicas, respostas imunes e a defesa contra microrganismos patogênicos. No entanto, as funções benéficas da microflora comensal se estendem também ao SNC.


Os alimentos ultraprocessados (AUPs) são produtos industrializados com muitos aditivos, gorduras saturadas, açúcares adicionados, sal em excesso — e que sofrem vários processos tecnológicos. O consumo frequente de AUPs pode gerar uma série de alterações no organismo que vão muito além do sistema digestivo. Esses alimentos modificam a composição da microbiota intestinal, reduzindo a diversidade de microrganismos benéficos e causando disbiose — um desequilíbrio que prejudica o funcionamento intestinal. Com menos microrganismos protetores, o intestino perde parte de sua capacidade de defesa, o que favorece processos inflamatórios, tanto intestinais quanto metabólicos.


Além disso, dietas ricas em gorduras e açúcares adicionados podem danificar a permeabilidade intestinal e comprometer a barreira hematoencefálica, uma estrutura essencial que protege o cérebro contra substâncias nocivas. Essas alterações afetam também a comunicação entre o intestino e o cérebro, interferindo em sinais neurais responsáveis pelo comportamento, cognição e humor. Evidências científicas reforçam esses achados: estudos mostram que o consumo de ultraprocessados está associado a sintomas de depressão, ansiedade e maior risco de demência.


Em resumo, a alimentação ultraprocessada impacta não apenas o corpo, mas também a mente. Adotar uma alimentação mais natural e com menor grau de processamento ajuda a manter o equilíbrio da microbiota e favorece o bom funcionamento do cérebro. Lembre-se: a saúde do cérebro também depende do seu intestino. Cuide bem dele, e seu corpo inteiro agradecerá.


Referências:

BISTOLETTI, Michela; BOSI, Annalisa; BANFI, Davide; GIARONI, Cristina; BAJ, Andreina. The microbiota-gut-brain axis: Focus on the fundamental communication pathways. Progress in Molecular Biology and Translational Science, v. 176, p. 43-110, 2020. DOI: 10.1016/bs.pmbts.2020.08.012.

Song, Z.; Song, R.; Liu, Y.; Wu, Z.; Zhang, X. Effects of ultra-processed foods on the microbiota-gut-brain axis: The bread-and-butter issue. Food Research International, v. 167, art. 112730, 2023. DOI: 10.1016/j.foodres.2023.112730.


 
 
 

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