O poder da Maçã

As maçãs contêm uma variedade de nutrientes com diferentes atividades biológicas, como polifenóis, vitaminas, minerais, proteínas e carboidratos, e carboidratos complexos que não são digeridos pelo nosso organismo. Estes carboidratos, ou fibras, principalmente polissacarídeos complexos de plantas, podem servir como fonte de energia para a microbiota intestinal.

Como produto da fermentação desses nutrientes temos a formação de acetato, butirato, propionato e ácidos graxos de cadeia curtas que podem então ser utilizados pelo hospedeiro. Algumas quantidades de polifenóis também podem não ser absorvidas no intestino delgado ou até mesmo serem excretadas do fígado através da bile e chegar no cólon, onde serão substratos para os microrganismos.

As fibras estão presentes na maçã numa percentagem relativamente alta, entre 2-3%, quando comparado com outras frutas. Essas fibras podem ser divididas em insolúveis que correspondem a mais da metade das mesmas, sendo incluídas celulose, hemicelulose e lignina, e solúveis que tem como principal componente a pectina . Essa pectina está localizada na entrecasca de frutas cítricas, principalmente na maçã.

Diversos estudos evidenciam os benefícios das fibras em casos de doenças cardiovasculares, câncer de cólon, diabetes, obesidade e na fortificação da microbiota intestinal contra a invasão de patógenos. Além disso, promove ação antioxidante por polifenóis, que associados a pectina, beneficiam a saúde digestiva e o metabolismo da gordura, diminuem os níveis de colesterol LDL e o risco de neoplasias, ademais de apresentar propriedades anti-inflamatória.


Um estudo publicado pelo International Journal of Biological Macromolecules em 2019, demonstrou que polissacarídeos presentes na maçã pode reverter a disbiose do organismo induzida pelo alto teor de gordura. Para entender como funciona essa relação entre a substância presente na maçã e o intestino, os pesquisadores observaram a ação dessa substância em ratos, especificamente em duas bactérias essenciais para a função intestinal: Bifidobacterium longum e Lactobacillus rhamnosus.

Os pesquisadores puderam observar que a presença das duas bactérias foi maior nos animais que consumiram as maçãs, graças à presença do polissacarídeo. Com isso, o estudo sugere que o consumo de maçãs pode ser capaz de promover o crescimento da B. longum e da

L. rhamnosus indiretamente e fornecer outra base para entender a função dos probióticos no organismo.


Muitos fatores afetam o perfil fitoquímico das maçãs e são importantes para serem considerados quando se tenta compreender e maximizar os benefícios das maçãs para a saúde, incluindo os efeitos vantajosos para a microbiota do indivíduo.

Não só as concentrações fitoquímicas variam muito entre os diferentes cultivares, mas também podem variar durante a maturação dos frutos em resposta à luz disponível, estágio de desenvolvimento do fruto e a alguns tipos de fertilização. Em geral, o armazenamento de maçãs não parece afetar muito os fitoquímicos da maçã, mas o processamento de maçãs para suco resulta em uma diminuição muito significativa de fenólicos.

Os benefícios potenciais das maçãs para a saúde são numerosos. O consumo regular de frutas e vegetais, incluindo maçãs, como parte de uma dieta saudável pode ajudar na prevenção de doenças crônicas e na manutenção da boa saúde.


Créditos: Andressa Rosario, Angela Bernardo, Ariane Faria, Evely Bertulino, Julia Ferrarezi,

Maria Isabella Macedo.


Referências

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